
Coisa que não falta à chusma bancária é imaginação. Quando se fala de marketing agressivo há que contar com esta seita que não se deixa ultrapassar pelas inovações e que não perde oportunidade de as pôr em prática.
O fervor pelos cifrões é de tal forma compulsivo que qualquer expediente para impingir produtos e serviços ao cliente é válido e utilizado.
A fórmula agora passa pelo envio de sms’s, tentando induzir aos incautos a ideia de que qualquer coisa se passa com a sua conta bancária e que, por conseguinte, este deve ligar urgentemente para um número de telefone disponibilizado ou apresentar-se num balcão.
Reproduzo na íntegra a mensagem recebida:
“Para tratar assunto relativo a sua conta, por favor ligue ********* indicando refª ***** ou dirija-se a um Balcão até às 14.30. Cumprimentos Banco *********”
Ora, o que é que esta seita pretende com este alarme? Muito simples, apanhar o desgraçado num balcão, efectuar-lhe uma lavagem cerebral e esmifrar-lhe o dinheiro de forma a ser aplicado em produtos de uso corrente, de investimento e especulação geridos pela entidade bancária e/ou similar (cartões de crédito, acções, fundos, seguros, empréstimos, etc.), ou seja tudo o que possa constituir uma maior e efectiva ligação e consequente dependência do cliente em relação ao banco. Na prática tudo o que possa consolidar o velhinho conceito “estar nas minhas mãos”.
Comigo não se safam. Já há algum tempo que tomei a decisão de não investir, para além das contas à ordem, um cêntimo que fosse em bancos privados. E as contas bancárias que tenho em bancos privados são motivadas por contingência laboral, de forma a receber o meu vencimento.
Eles bem têm tentado sacar-me o dinheirinho através de todo o tipo de aliciamentos – desde ofertas de dinheiro (empréstimos) para comprar computadores, carrinhos de mão, férias, bicicletas, automóveis a produtos milagrosos que multiplicam por dezenas o dinheiro investido -, por via telefónica, mail, correio físico, e agora com este novo expediente, mas comigo vão de carrinho. Todo o meu pecúlio está investido, e bem, em diamantes, ouro e cannabis. Mais nada!
Acabei há momentos de ver na RTP, um documentário bem elucidativo do desenvolvimento deste nosso país. O referido programa relatava, através de uma reportagem bem elaborada e de diversos testemunhos, a vida de vários agricultores no interior do Alentejo, mais propriamente no concelho de Serpa. Agricultores que no século XXI, prestes a terminar a primeira década, tentam dignamente viver e produzir aquilo que ainda é das poucas coisas que este país entregue às multinacionais estrangeiras consegue fazer bem: queijos e presuntos.

